Entrei pelo lado errado da porta. Despejei palavras sem sentido. Fiz perguntas estúpidas, e em alguns momentos respondi a algumas delas. Pedi o doce mais caro, mas não combinei com o café certo. Acendi um cigarro. Procurei um assunto. Procurei palavras bonitas, mas não encontrava. Errei feio no português e logo depois quis sumir. Tirei um sarro de mim mesmo. Sorri de ladinho (Eu sorrio de ladinho quando tímido). Procurei no café quente algum assunto familiar. Peneirei os assuntos familiares. Falei demais sobre alguns deles. Tentei ficar calmo. Enxuguei as mãos na calça jeans. Tentei parecer rico, tentei ser humilde. Arrisquei falar sobre amor. Parei logo em seguida. Retornei ainda mais inseguro. Parei. Fiquei perturbado. Fechei os olhos, e dei uma risada caótica (no banheiro – em frente ao espelho). Voltei e me atrapalhei ao sentar na cadeira. Sentei na cadeira pateticamente. Tocou uma música que eu adoro. Evitei inseri-la no contexto por ama-la demais. Estava Feliz. Estava com medo. Acendi um cigarro. Me engasguei com a fumaça. Meus olhos lacrimejaram, e minha testa ficou vermelha. Meu celular tocou. Era a mãe. Fui carinhoso e bom filho, mas mostrei independência. Falei meus filmes preferidos, e do ultimo cd que estou apaixonado. Tentei não parecer fútil, mas falei sobre futilidades. Tentei não criticar celebridades, terminei falando mal de algumas. Tentei trocar olhares, abaixei meus olhos, envergonhado. Amei livros que nunca li, conheci lugares que eu nunca fui. Menti um pouco, mas não falei meias verdades. Floreei histórias, e me inseri nas melhores. Arranjei guardanapos no balcão, e meu nariz escorreu. Limpei discretamente. Tentei ser engraçado, fui espalhafatoso demais. Acreditei em tudo o que me disse, e acreditei em tudo o que falei. Sorri de ladinho, e fiz um charminho. Fiquei confiante. Decidi parar de fumar, e entrar pra algum esporte. Planejei o domingo que vem, e pensei em desculpas para desmarcar meus compromissos. Não atendi os amigos. Pensei em economizar para uma viagem no final do ano. Em comprar uma cama maior, em alugar dvd´s sábado à noite, em acordar cedo aos domingos. Pensei em parques, cafés e livrarias. Me ofereci para pagar a conta. Dividimos. Voltei pra casa... E... Segunda. Terça. Quarta. Quinta. Sexta. Sábado. Domingo – Cumpri com meus compromissos.
domingo, 7 de setembro de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
RESISTÊNCIA
O chuveiro na minha casa queimou... Queimou e eu desisti, não de tomar banho, apenas desisti... Fui vencido pelo acaso, mais uma vez... O cotidiano se instalou em mim definitivamente, as contas venceram, o telefone está mudo a um mês, e o computador não carrega mais vídeos no youtube. Por isso não me perguntem se eu vi o ultimo clip da Madonna. Ok. Vi... Tenho meus contatos... Mas não queiram saber detalhes. O fato é: O chuveiro queimou. Para contextualizar... Moro no sul, então um banho de água gelada “dói da flor da pele ao pó do osso”. Bom chateação resolvida com 69,90, no mercado na esquina de casa. O drama passou a ser... O chuveiro queimou e eu estou solteiro. Acho que preciso me tratar. Como eu consigo relacionar a falta da água quente, com a crise mundial. Nessas horas de crise é fácil buscar uma desgraça maior... Mas acompanhe meu raciocínio... Quinta feira de manhã nublada, o final de semana está chegando, e o Brasil está em duas finais nas olimpíadas (você ainda não sabe que seria um fracasso), o esposo acorda e vai para o banho... Volta enrolado numa toalha, pulando de frio até abrir o closet e pegar o terno, e diz: “O chuveiro queimou”,... “Ai merda”, pensaria, mas ao acordar, daria de cara com o homem da minha vida recolocando o cabide no cabideiro, pendurando uma toalha no toalete e torrando uma torrada na torradeira. Mesmo assim ainda com um leve mau humor pisaria no azulejo gelado, enquanto ele terminava de escovar os dentes. Abriria o chuveiro, e aquela ducha gelada cairia espetando o coro cabeludo. Soltaria um grito, e o máximo que ele faria seria dar uma risada amorosa, enquanto preparava a ração do Otávio (o labrador), mesmo assim continuaria reclamando: “Que vida uó”, “Que chuveiro úo”, “Que sabonete uó”... Eis que, do nada o blindex abriria e o bendito (ou como ele se chamar), estaria prontinho para um novo banho gelado com você com um sorriso moreno de dentes brancos colgate, dizendo: “Vim te esquentar”... Pronto, meia hora atrasado no trabalho, nenhuma culpa e uma ótima história para contar. Por hora um bom aquecimento a gás já resolveria.
DIA CURTO
Oito e meia da manhã de um domingo qualquer. Não lembrava que esse horário existia aos finais, de semana. Acordei, meio sem querer. A noite passada, dormi cedo, minha conta bancária, tinha “me” decidido ficar em casa. Acordei, meio sem querer, mas acordei. No Som do rádio Maria Rita, me mandava abrir as janelas, “... Primavera quer entrar...” Antes... Ainda acendi um incenso, e decidi tirar a auto-estima da cartola. Abri a janela como o combinado... As roupas ainda secavam no varal, o ônibus passava rapidamente pelos pontos desertos. Os passarinhos cantavam, e uma pomba cagou no carro do sindico... O dia estava perfeito. Com um copo de Nescau, e a intensidade de quem olha o mar, me deparei com a paisagem urbana (que eu adoro)... Videolocadoras, farmácias, pontos de táxi, prédios altos, prédios baixos, outdoors... Outdoors... Que estranho... Mas aquele no outdoor parece o... Meus Deus... Ali na propaganda do vestibular, se parece muito... O nariz torto se parece... Meu ex namorado. Ele teve a ousadia de ficar no outdoor em frente a minha janela. Oito e cinquenta da manhã de um domingo qualquer, fechei o black out do meu quarto por mais seis meses...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Aluga-se asas.
Resolvi escrever,... Escrever para desabotoar a minha alma. Resolvi escrever por que hoje eu nunca mais vou ver alguém. Resolvi escrever, aproveitando que ainda escorrem palavras pelos meus olhos... Resolvi escrever, por que esse domingo de sol estava nublado demais. Resolvi escrever, por que de manhã recebi a trágica notícia da morte de um amigo. Resolvi escrever, por que gritei, e nenhum som saia da minha boca. Resolvi escrever, para lamentar a dor que estou sentindo, e também para a aliviar a angustia de ter que falar alguma coisa. Resolvi escrever, por que precisei de amigos. Escrevi também por que reconheci nos meus amigos, os amigos que eu tenho. Resolvi escrever por que o dia inteiro passei de mão em mão, e fui bem acolhido. Mas escrevo também, pra relembrar a alegria de fazer uma faxina em casa com ele, e ouvi-lo cantar no banheiro. Resolvi escrever por que nunca havia dito que ele cantava mal. Escrever como quem acabou de comer a deliciosa torta de carne que vira e mexe ele decidia fazer aos domingos. Resolvi escrever para tentar entender a falta que sinto de vê-lo chorar como uma criança, e de sorrir feito um recém nascido. Escrever por lembrar dos shows que promovíamos nas tardes de marasmo aqui em casa. Escrevo também com a sinceridade de ama-lo, mesmo sendo a ultima palavra que disse a ele, uma palavra de desafeto. Resolvi escrever por que não tive tempo de voltar atrás. Resolvi escrever por que também não tenho culpa, e sei também, que ele sabia disso. Escrevo lembrando que a nossa amizade ficou abalada. Escrevo sabendo que ele fez uma escolha, mas também escrevo por que sei que tem dias que a noite é foda. Resolvi escrever porque sei que tem droga que é uma merda. Mas agora resolvi escrever para reconhecer que a imagem que ele deixou pra gente foi a melhor, a que ele queria deixar. Escrevo mesmo sabendo que não há como descrever o vazio que ele deixou. Resolvi escrever, por que enquanto andava por ruas perdidas vi em uma imobiliária simples a placa “Aluga-se asas”, o “c” do imóvel tinha caído. Escrevo querendo alugar uma asa, e ainda esse mês queria sair dessa casa. Escrevo por que o quarto que ele morava, é ao lado do meu, e há três anos atrás comíamos uma pizza e decidíamos quem ficaria com o maior. Escrevo pra lamentar o fato, e seguir adiante. Só resolvi escrever um pouco, pra tentar entender em palavras a dor que sinto no peito.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
(...)
Namorar é como ler um livro. Acredito. Começo pela escolha: Vou até a livraria e dou uma olhada nas opções. Têm aqueles top´s, os dez mais do mês: Capa dura, alguns nem brasileiros são, são europeus, americanos, russos, japoneses, alguns ainda sem tradução, outros já até saíram em revistas. Bom, confiro a lista, verifico o preço... Está caro... Em Alta. Tudo bem, a vontade é grande, mas vou aguardar sair da moda, ou então esperar aquele amigo antenado ler, e depois me contar se valia a pena. Se valia... Bom, agüentar as conseqüências, quem sabe em um futuro próximo. Agora é a hora de dar uma conferida nos pocket´s, Hum... Alguns títulos antigos, outros profundos demais, outro rasos demais, no meio da bagunça da prateleira, vez ou outra, encontra-se perdido um autor do qual eu já ouvi falar, e me interessei. Deixo ali, guardado, quase escondido, atrás do “Inimigo do povo” de Ibsen. Mais uma volta cultural pelo espaço, a procura de gêneros interessantes, algo que me chame à atenção: Um romance; Uma ficção; Um épico; ou quem sabe até um charmoso livro de poesias. Opa... Uma repaginada no visual daquele livro que eu já li, ou ainda encontro o autor que tanto gosto, que já li muito em outras épocas, mas que quase esqueci, trazendo nesta nova edição uma fase nova da sua prosa. Às vezes tenho essa sorte. Mas pretendo ser categórico, encontrar aquele livro exato, aquele que vai mudar minha vida, ou meu ano, ou pelo menos me distrair nessas férias de verão. Dou de cara com um livro brilhante, enorme, sendo retirado da caixa: “Guinnes Book”. Bom... Esse é daqueles livros pra você dar uma folheada ali mesmo, e perceber como tem gente estranha nesse mundo. Mas só. Poucos aqueles que acabam levando pra casa, geralmente os mais excêntricos. No subsolo alguns títulos podem revelar surpresas. É lá que se escondem os técnicos, pra quem curte uma pesquisa mais aprofundada, quem sabe uma solução pra sua vida profissional, tem os filosóficos que ajudam a restaurar o intelecto, os astrológicos que elevam a alma, e tem até os de reeducação alimentar pra quem acredita estar acima do peso. Não. Ainda não é nada disso. Dou uma pequena paquerada naquele livro grosso de física quântica, mas me lembro que o ultimo livro que eu li já tinha sido complicado demais. Quem sabe quando eu estiver mais maduro eu encaro esse. Títulos coloridos, quase infantis, dançando perto da pilastra, umas tirinhas com tiradas ótimas, e os gibis de super-heróis, mas já passei da fase de acreditar neles, assim como os de contos de fadas, deixo para os mais novos. De volta ao salão principal. Confiro se o livro escondido ainda está por ali, encontro. Alívio. Já um pouco atordoado, penso duas vezes em levar o “KAMA SUTRA”, o livro que os mais esclarecidos afirmam, ser importante pra uma noite de inspiração ou solidão. Penso, mas decido que não, não hoje, hoje saí confiante, hoje saí pra encontraaaaaaaaaaaar (Dou uma olhada em volta)... Achei... Uma edição marroquina. Acho exótico, convido pra sair da prateleira e sentar na poltrona comigo... Vejo o designer da frente, dou uma conferida atrás, e parto pra orelha... Começa bem, um pouco confuso, talvez, mas pode ser um problema da tradução. Gostei. Mesmo assim dou uma repensada. Como estou exigente. Mas é que é uma outra cultura. Sabe como é? E se eu gostar do autor, e ele nunca mais for publicado no Brasil? Peço desculpas, devolvo sem amassa-lo à prateleira, mas com o compromisso de recomenda-lo a um amigo que se interesse pelo tema. Desisto, pergunto onde é o banheiro, e decido ir embora, mas ao chegar a porta me recordo do pequeno livro escondido, solitário, frágil, e até barato, mas completamente disponível para ser lido, que espera ansioso por um bom leitor, acho sacanagem deixar esperando, volto a sessão, e procuro um lugar para posiciona-lo estrategicamente para que alguém possa se interessar por ele. Acredito que ele merece. A curiosidade é tanta que como quem faz uma pergunta abro para ler uma página, e ele como quem me responde se deixa ser lido: “Não me apareça tarde, pois a noite foi feita para dormir”. TENHO CERTEZA, agarro, ainda que envergonhado. Na fila do caixa, encontro às revistas de fofocas, e os best-sellers Hollywoodianos. Abraço o livro mais forte me desculpando por quase te-lo desprezado, com a segurança de ter encontrado na simplicidade a poesia que me fazia falta.
Chego em casa. Arrumo a sala, acendo o abajur, coloco Billie Holliday no aparelho de som (nessas horas o ideal seria uma vitrola), e começo a desnuda-lo, primeiro dou uma lida no histórico de vida, gosto de saber as referencias, logo depois parto para o prefácio, é importante (mas nem sempre) saber o que os outros falam dele. Leio o primeiro capítulo, são tantas informações e personagens em sua história, que às vezes releio duas vezes o mesmo parágrafo. Paro. Gosto de ir lendo aos poucos. Existe quem goste de ler o livro em uma sentada para depois já abandona-lo na estante enquanto procura outro, quanto a mim, prefiro um relacionamento mais duradouro, nem que signifique ficar ansioso pelo próximo capítulo. E assim começa a leitura que parece não ter fim, às vezes madrugadas incansáveis, noites de insônia, mas em dias de muita agitação basta ler duas frases que já caio no sono. Começo a não precisar mais parar a leitura e fazer um esforço para lembrar sobre aquele personagem que já havia sido citado, às vezes um personagem novo entra na trama, um personagem do trabalho, ou mesmo da família, simpatizo com alguns, outros aturo por estar gostando tanto do livro, mas nunca deixo transparecer. Durante um tempo leio todos os dias, depois com o ritmo intenso da vida passo a procura-lo nos finais de semana, sempre tomando cuidado pra não me perder na narrativa, se for necessário volto umas páginas pra retomar o rumo. Se alguma coisa está me chateando, um sorriso aparece logo quando me lembro que ele me espera em casa. O Cd da Billie Holliday começa a atrapalhar, preciso ficar em silêncio para ouvir a respiração das frases, e não me incomodo com os desabafos escritos, mesmo que isso torne chata aquela passagem, pois acredito na revira volta. Delicio-me com os ápices, e me revolto com as quebras da dinâmica. De vez em quando passo em frente à livraria e me excito com os novos títulos da vitrine, mas permaneço fiel, dessa vez quero ir até o fim. A proximidade já é grande, quantas vezes não estive com ele na intimidade fria do banheiro, mas sempre mantendo o respeito, não deixo molhar, e nunca esqueci no revisteiro. Agora percebo que as páginas estão acabando, evito tentar antecipar o final, faço um esforço pra não contar as páginas que faltam, deixo acontecer. A tristeza salta em meu peito, quando percebo que o livro já está cheio de minhas marcas, impregnado de meu cheiro, a capa preta que antes era brilhante, agora está opaca, repleta de minhas impressões digitais. Os meus amigos já começam a me perguntar se pretendo um dia repassa-lo. No final com a simplicidade de um sábio, retiro o marcador e junto a capa com a contracapa, percebo que suas páginas já não estão tão grossas e brancas, mas ainda se parece com o livro que um dia em conheci. Arrumo seu lugar na estante, junto àqueles outros que escolhi para minha biblioteca, só os mais importantes, os que não foram parar em um sebo empoeirado. Às vezes à noite, ainda retiro ele para relembrar as frases que eu grifei. Procuro nele alguma frase de impacto que me martela a cabeça, não encontro, já nem sei mais o que dele ficou escrito em mim. E sua história como em uma delicada relação vai perdendo as formas, se transformando em palavras, puras, plenas, repletas de significados, palavras isolada, palavras de um bom amigo...
domingo, 20 de julho de 2008
A ARTE DE SER INVISÍVEL
Balada – ALTERNATIVA - Regata moderna de capuz, aquela calça “SARUEL” cara que comprei em São Paulo (Depois de levar um pé na bunda, uma calça nova é o melhor pra esconder as pegadas), amigos divertidos, e um clima de azaração (como “BARRADOS NO BAILE”), essa era a programação da noite... E FOI... Um fiasco. Estou no período de janela, aquelas semanas que ainda é cedo pra encontrar alguém, mas também já é tarde demais, por que seu ex andou de mãos dadas com outro enquanto você estava fora. Aquele período que você cai no mundo real e entende que quando ele te disse: “Quero ficar sozinho”, na realidade significava, “não quero ficar com você”, e já partiu pra outra. Por que essa história de ficar sozinho, é “blá-blá-blá”. Quando estou sozinho, na minha testa pisca em néon – INCAPAZ -. Não tenho nada contra quem quer ficar, e até acredito que existe gente que faz essa opção e se sente feliz por essa escolha... BLÁ... INCAPAZ. O sonho do solteiro convicto é encontrar outro solteiro convicto, casarem e adotarem um gato que é o bicho mais descompromissado. Nós os passionais adoradores de labradores cor de mel, só deixamos transparecer essa angustia, e logo depois da primeira semana arranca o curativo do peito e já parte pra uma nova empreitada. O QUE ACHO JUSTO.
O fato é que o sábado estava hostil. Todo mundo espera alguma coisa... Já dizia Lulu. Primeiro, a chegada ao local. Após quarenta minutos na fila entrei no templo da fumaça de cigarro, da cerveja cara, e da chapelaria lotada... Mais quarenta minutos pra conseguir um cabide vazio. OK. PRONTO. Casaco guardado, amigo divertido bêbado, cerveja na mão, e OPA... No fundo direito da pista, aquele homem que sempre almoça no mesmo lugar que você, deixou a barba crescer e ficou perigosamente sedutor (mesmo que de cavanhaque). No fundo esquerdo, pesando 80 kg, muito bem distribuído, medindo 1.95m, ELE, o Campeão da AGÜENDA PESADA – O CINEASTA. Aquele garoto que todo mundo tem que acreditar, em favor da auto estima, que precisa ter algum defeito de fábrica, mas que mesmo assim deve saber usar esse defeito direitinho na hora H. OK... LUTADORES A POSTO...
NOCAUTE
A cruel matemática do mundo gay... HOMEM BONITO + HOMEM BONITO = OS DOIS ACABAM SE PEGANDO, AHHHHH, RAIVA quando isso acontece. Nessas horas, eu penso, se é pra serem tão redundantes que fossem, todos os homens lindos, morar juntos numa ilha... Na ILHA DE CARÃO. Rapidamente como uma profecia surge na minha cabeça as sábias palavras do meu amigo: “EU SIM ESTOU SOZINHO POR OPÇÃO... OPÇÃO DOS OUTROS”. Depois de baixar a crista e as expectativas, começo a ver beleza na diversidade. Aquele moderninho, quase emo, esconde atrás de quilos de lápis preto da “contém 1g”, um olhar intrigante; aquele bêbado chato, dançando ao som de REHAB, pode ser uma obra bruta a ser lapidada; o careca de boné tem um que de Bruce Willis. Uma confiança brota de algum ingrediente do álcool, e passo a acreditar na bossa nova: “No peito de um desafinado, no fundo do peito bate calado, que no peito de um desafinado, também bate um coração”. Um tempinho para acabar o docinho do TRIDENT, terminar a cervejinha, dançar aquela que pode ser a ultima música que vou dançar solteiro na noite e ouvir o final da historia interessante do meu amigo (o final... Pois no começo da história eu estava pensando tudo que eu escrevi acima, então nem prestei atenção). E TEM INÍCIO A CAÇADA... Agora é tudo ou nada, porque abater e não comer é altamente antiecológico. O peito estufa, me pavoneio, tiro do armário a minha melhor cara, e da manga aquele sorriso tímido e emblemático... E... O SÁBADO ANDA HOSTIL... O emo adolescente esta pagando a conta, provavelmente tem cursinho pré-vestibular amanhã de manhã (AULÃO NO DOMINGÃO, como costumávamos chamar no meu tempo), o bêbado chato tirou a camisa e deu pra sentir um cheirinho azedo vindo em sua direção (Há de se embebedar, pero perder a higiene, jamais). O Careca está só, e aquele sorriso branco, me deixou derretido. Vou ao banheiro antes... FILA... Espera, espera, espera. Enquanto vejo impacientemente três indivíduos suspeitos coçando o nariz saindo da mesma cabine, também reparo que os olhares estão dispostos a se cruzar (e juro que dessa vez eu tenho certeza disso). Consigo finalmente vencer a fila... Só tem mictório, que desconfortável... Deixo passar um na frente... Vagou a cabine... Vou ao vaso e me livro daqueles litros de cervejas, o primeiro prazer da noite... Droga de SARUEL... Acabei me mijando. Papel higiênico, pra dar uma secada. Espelho... (PAUSA)... ESPELHO MEU... A LOCA... Opa, sem escorregar... COÇO O SACO... Ajeito minha dignidade, meu cabelo, e percebo que as minhas entradas denunciam um futuro próximo... Mais uma profecia: “Tatu cheira Tatu” já dizia a minha vó. Saio do banheiro confiante... E quando vejo...
NOCAUTE
Mais uma da matemática gay: CARECA DANDO SOPA + AMIGO QUE DEIXEI FALANDO SOZINHO = 4:00 DA MANHÃ NO ZERO A ZERO. O que me resta a fazer é bancar uma de SCHEILA, da caverna do dragão, vestir o capuz da regata e me tornar invisível. Tchau para o amigo... TCHAU!!!... Apresentação constrangedora, clima tenso entre você e o dito cujo, o amigo que não entende nada... “Vocês já se conhecem?”... Constrangimento... “NÃO”. Um pouco feliz por ele ter se arranjado... Um pouco!!!! No Táxi de volta pra casa, o cachorro quente da praça a duas quadras de casa está aberto ainda... SEGUNDO, e último, PRAZER da noite, morder uma salsicha no prensado de bacon com catupiry.
O MUNDO ANDA HOSTIL.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
BANDA LARGA
- Mas e ai tu curte uma real?
- Sim, prefiro... Rs... Os bytes e o teclado do meu computador não são nem um pouco sensuais...
Fiz uma inocente piada, imaginando que do outro lado estaria um homem sensível pra rir das pequenas graças. Que saiba valorizar alguém que em meio a era do sexo fácil, aprecia o humor inteligente, alguém que vai me aparecer para um sexo sem compromisso, mas que use óculos, e já tenha lido Nietzsch. Alguém que por mais constrangedor que posso ser a situação do encontro às escuras, percebeu que naquele momento de descontração, poderia ter achado, no lugar mais inconveniente, alguém para viver uma história, e indubitavelmente já venha com essa pequena impressão, e que por isso, quando estiver no caminho complicado que eu ensinei para chegar a minha casa (e que só foi possível à localização exata pelo google mapa), vai parar no posto... E OPA, quem sabe comprar um chocolate pra me fazer um agrado. Alguém que eu nem conheço, mas que eu já quis mostrar que se vier comigo, tratarei de transformar até as coisas mais banais em um momento de singela felicidade, e que quando os amigos perguntarem onde nos conhecemos, vamos ter na manga uma história de que nos apaixonamos na fila daquele cinema cult que tem no centro da cidade, a historia real guardaríamos em segredo pro resto de nossas vidas. Ou ainda, um homem que após a piada, vai me reconhecer na hora e dirá: "Sou eu, Fulano, reconheci você por esse seu humor que eu tanto gosto". Iríamos para um papo reservado e nos perguntaríamos, por que não ficamos juntos? Nos gostamos tanto, e acabou não dando certo, mas agora estamos aqui, ambos carentes a procura de um prazer tão efêmero. Vamos perceber que o fato de ele ter terminado um namoro de anos a três semanas de quando a gente se conheceu, não fazia a menor importância, vai reconhecer que devia ter partido pra outra e ter ficado comigo, já que como ele sempre pensa : “Foi o ultimo que me fez sorrir”. Um homem que vai entender que ficar comigo é o melhor a fazer, e que todos aqueles medos do passado não fazem mais sentido, pois o que poderíamos construir seria incrível (adoro essa palavra, me soa tão paulista), e que nos pouparíamos de ter que ler comentários como : “São três da madrugada, ainda dá tempo de alguém receber um leitinho... Hum... Um leitinho vitaminado”, e riríamos do fato de duas pessoas tão inteligente e capazes estarem ali na solidão da banda larga. E que a melhor coisa que poderia ter acontecido neste momento de nossas vidas teria sido nos reencontrarmos...
No que ele respondeu.
- Ótimo. Faz pass?
Era só um estranho.
